POLÍTICAS PÚBLICAS NA EDUCAÇÃO
ESCOLA
& SOCIEDADE; LAÇOS E NOS
“A
cidadania é historicamente um atributo político e cultural que pouco ou nada tem
a ver com uma democracia substantiva ou com a democracia comprometida com a
transformação social”
E, nesse
tom e mote, veio-me à memória as palavras
de Jacques Derrida, sublinhando algumas
de suas palavras que nos dizem da “hospitalidade,
da cordialidade, da empatia e sinergia, contributos da “hospitalidade comercial”,
bem à semelhança da “hospitalidade
doméstica”
Jaques
Derrida:
-Compartilho
com outros a
preocupação com a
hospitalidade e as notícias sobre o drama dos estrangeiros, dos imigrados, dos
exilados. Tento pensar uma hospitalidade incondicional que não esteja ligada à
cidadania. Existem leis da hospitalidade ligadas à cidadania; Kant, por
exemplo, quando fala do tratado da paz universal, pensa numa hospitalidade de
cidadão para cidadão. Mas hoje devemos nos preocupar com pessoas que são
lançadas fora de seus países, sem cidadania, e que não são respeitadas como
cidadãos. É preciso pensar numa hospitalidade não mais voltada somente para
cidadãos, porém que se dirija a qualquer um. Evidentemente o que acabo de dizer
da ética e da política vale, por excelência, nas relações com o estrangeiro, o
imigrado, o exilado etc. Todos os
que, desde pelo menos a primeira guerra mundial, foram lançados na estrada do
mundo: milhões de deportados, pessoas deslocadas, imigradas à força. Há pessoas
sem estatuto... Sem documento..., sem
estatuto político, sem identidade nacional. Claro que quando falo de uma
solidariedade internacional que não seja simplesmente cosmopolítica, ou somente
a aliança entre os cidadãos do mundo, penso com certeza nessas pessoas. ...
O sucesso internacional da “desconstrução”
seria contraditório com relação a um certo papel de anticonformismo (político,
epistemológico, institucional) das estratégias desconstrutoras?
[JD] Eu seria muito prudente com
relação a falar de “sucesso internacional da desconstrução”. Por certo a
palavra desconstrução tem uma espécie de crédito internacional, fala-se dela um
pouco em toda parte no mundo... Não exageremos: um pouco em toda parte nas
universidades, em certos meios acadêmicos, literários. Mas não existe sucesso
internacional, não devemos exagerar. Então isso não me parece contraditório com
o anticonformismo. A desconstrução, por um lado, somente é conhecida com esse
nome em pequenos meios universitários, urbanos e literários; por outro lado,
mesmo nesses meios existe uma guerra furiosa, por meio da qual se combate a
desconstrução. Ela é alvo de verdadeiras cruzadas, de ódio. Não creio que haja
sucesso, assim não vejo contradição.
EVANDO
NASCIMENTO é Professor Adjunto na Universidade Federal de Juiz de Fora e autor
do livro Derrida e a literatura (EdUFF, 2a. ed., 2001), co-organizador de Em
Torno de Jacques Derrida (7Letras, 2000) e Poesia Hoje (EdUFF, 1998).
E-mail: ebn12@bol.com.br
LAÇO E O ABRAÇO
Mário Quintana
Meu Deus! Como é engraçado!
Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço... uma fita
dando voltas.
Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira, circula e
pronto: está dado o laço.
É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso
cercado de braço.
É assim que é o laço:
um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em qualquer coisa onde o faço.
E quando puxo uma- ponta, o que é que acontece? Vai
escorregando...devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço.
Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.
E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço.
Ah! Então, é assim o amor, a amizade.
Tudo que é sentimento. Como um pedaço de fita.
Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer
hora,
deixando livre as duas bandas do laço. Por isso é que se diz:
laço afetivo, laço
de amizade.
E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços.
E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita, sem perder
nenhum
pedaço.
Então o amor e a amizade são isso...
Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam.
Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço!
O mundo só vai prestar
Para nele se viver
No dia em que a gente ver
Um gato maltês casar
Com uma alegre andorinha
Saindo os dois a voar
O noivo e sua noivinha
Dom Gato e Dona Andorinha»
Jorge Amado
Pessoas são pessoas
através de outras pessoas
Ditado shosa- língua materna de Nelson Mandela
A epígrafe acima é verdade irrefutável, O lema é: umpor todos, todos por um. “É a idéia de
totalidade que domina”(CHABAL)
Isto posto, re- faço meus laços, deixando abraços para meus
companheiros de ofício e profissão, professores-educadores, empreendedores de
um novo mundo possível, laços e abraços...
Lúcia Duarte