sábado, 10 de março de 2012

Trabalho, pensamento caleidoscópico para a organização do século XXI.


É preciso construir, com o cidadão, um novo modelo de vida e de trabalho.

As forças produtivas transformam-se em forças destrutivas do homem e do ambiente; por isso, é imperativo rever a relação trabalho e meio ambiente, homem e meio ambiente, sendo a palavra-chave, a ideia-força, a “sustentabilidade”


Nós já só trabalhamos para reparar os estragos do trabalho... Nós já transformamos e exploramos bastante o mundo, é chegado o tempo de compreendê-lo.
Michel Serres

Esta era que chamamos “comunicacional”  pratica as mais desconfortáveis, inapropriadas,  reduções do conceito de “trabalho”,  que já recebeu cargas semânticas as mais  “vexatórias” possíveis, em conformidade com a sociedade em questão, suas crenças, valores, ideais,  política, cultura; destas feitas:

 Na Antigüidade, o trabalho era entendido como a atividade dos que haviam perdido a liberdade. O seu significado confundia-se com o de sofrimento ou infortúnio ( Robert Kurz)

O significado de sofrimento e de punição perpassou pela história da civilização, diretamente se relacionando ao sentido do termo que deu origem à palavra trabalho. Essa vem do latim vulgar tripalium, embora seja, às vezes, associada a trabaculum. Tripalum era um instrumento feito de três paus aguçados, com ponta de ferro, no qual os antigos agricultores batiam os cereais para processá-los. Associa-se a palavra trabalho ao verbo tripaliare, igualmente do latim vulgar, que significava "torturar sobre o trepalium", mencionado como uma armação de três troncos, ou seja, suplício que substituiu o da cruz, instrumento de tortura no mundo cristão. Por muito tempo, a palavra trabalho significou experiência dolorosa, padecimento, cativeiro, castigo. (Francisco Bueno).

Neste início de século, uma outra transformação passou a ocorrer com o trabalho humano, entendido como emprego: com o avanço tecnológico, está ameaçado e, até, sendo eliminado do processo de produção da era da microeletrônica e da automatização. Diante do que foi discutido, depreende-se que o entendimento do que seja emprego e dos conceitos a ele relacionados é extremamente instável. (RIFKIN, Jeremy. O fim dos empregos RIFKIN)

Hoje, o trabalho está associado a aprender a viver junto, conviver, trabalhar junto, em equipe, sendo considerado uns dos pilares mais importantes do processo educativo desses novos tempos. Em síntese, o trabalhador, face  à mundialização da economia e o uso cada vez maior da tecnologia,  deverá ser um sujeito criativo, crítico, responsável, reflexivo e pensante, preparado para agir e se adaptar, ágil e atentamente,  às mudanças dessa nova velha sociedade.

 Como afirmam alguns estudiosos no assunto, pode não haver um mercado de trabalho global, mas existe uma interdependência global da força de trabalho


Trabalho e Emprego

O trabalho é mais antigo que o emprego, o trabalho existe desde o momento que o homem começou a transformar a natureza e o ambiente ao seu redor, desde o momento que o homem começou a fazer utensílios e ferramentas. Por outro lado, o emprego é algo recente na história da humanidade. O emprego é um conceito que surgiu por volta da Revolução Industrial, é uma relação entre homens que vendem sua força de trabalho por algum valor


O mundo globalizado da sociedade do conhecimento trouxe mudanças significativas ao mundo do trabalho.

O diploma passa a não significar necessariamente uma garantia de emprego. A empregabilidade está relacionada à qualificação pessoal

A educação do século XXI deve desenvolver objetivos significativos como: valorizar a inteligência coletiva e não a individual; perceber que todos são capazes e não uma minoria; valorizar as inteligências múltiplas; a emoção e a imaginação devem ser tão importantes quanto o conhecimento técnico; ter capacidade de resolver questões abertas e imaginar futuros alternativos, assim como a necessidade contínua de adquirir novos conhecimentos durante toda a vida.
Um pensamento moderno em educação ( Sacristán , apud Imbernón, 2000)

“A ocupação informal” era entendida como uma forma peculiar de inserção na divisão social do trabalho. Mas, atualmente, para M.Davis (2006), os trabalhadores desempregados da América Latina compõem um vasto “proletariado informal”, o qual não pode ser chamado de lumpesinato e muito menos de exército de reserva, pois já não são reservas de nada. São “supranumerários” e “inúteis para o mundo” capitalista (CASTEL, 1998)

Cottle diz que depois de estarem desempregados por um ano aproximadamente, os trabalhadores, em sua maioria, começam a direcionar sua raiva contra si próprios. Receosos de jamais trabalharem novamente, começam a culpar-se pela situação. Experimentam um enorme sentimento de vergonha e inutilidade, agravado pela perda de vitalidade. Em lugar de raiva, sentem-se deprimidos e resignados. Muitos até abandonam suas famílias. A morte psicológica muitas vezes é seguida de morte efetiva.

O desemprego e a perda de esperança num futuro melhor estão entre as razões pelas quais dezenas de milhares de adolescentes estão se voltando para uma vida de crime e de violência. A polícia estima que 270 mil estudantes portam armas nas escolas diariamente nos Estados Unidos. As escolas dos EU estão transformando-se rapidamente em fortalezas armadas, com corredores patrulhados por forcas de segurança e monitorados por equipamento de vigilância de alta tecnologia. Câmeras ocultas, máquinas de raio-X e detectores de metal estão tornando-se rotina em muitas escolas.

Às vésperas do terceiro milênio, a civilização encontra-se vacilante entre dois mundos muito diferentes, um utópico e cheio de promessas, o outro real e repleto de perigo. Em debate está o próprio conceito de trabalho. Como pode a humanidade começar a se preparar para um futuro no qual a maior parte do trabalho formal terá sido transferido de seres humanos para máquinas?

Esta é a arena em que homens e mulheres explorarão novos papéis e responsabilidades e encontrarão novos significados para suas vidas, agora que o valor de mercado de seu tempo está desaparecendo.



Bibliografia
Rifkin, Jeremy - "O Fim dos Empregos"
Castells, Manuel - "A Sociedade em Rede - Volume 1"
Moura, Paulo C. - "A Crise do Emprego"

http://www.ime.usp.br/~is/ddt/mac333/projetos/fim-dos-empregos/empregoEtrabalho.htm



Nenhum comentário:

Postar um comentário