sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

“O QUE NOS RESTA É A SOLIDARIEDADE”(Oscar Niemeyer )

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REUNIÃO PEDAGÓGICA 7 de dezembro de  2012

©  Texto  dinamizador, sinérgico: Primavera num
espelho partido , de Mario Benedetti

Ao sair finalmente da prisão, depois de tantos anos, Santiago, num misto de euforia e dúvidas sobre o que haverá de encontrar “lá fora”, faz uma verdadeira ode à primavera. Ele, que havia sido preso em plena primavera, num estranho redesenhar dos traços cíclicos do destino, será posto em liberdade naquela mesma estação do ano:

(…)Depois desses cinco anos de inverno ninguém vai me roubar a primavera…

A primavera é como um espelho mas o meu está com a ponta quebrada/era inevitável não ia sair inteirinho desse bem nutrido qüinqüênio/mas apesar da ponta quebrada o espelho serve a primavera serve…

Personagem em uma das suas reflexões sobre o exílio, a ditadura no Uruguai e o seu jovem
filho preso político.

(...)Liberdade quer dizer muitas coisas. Por exemplo, se você não está presa se diz que está em liberdade. Mas meu pai está preso e no entanto está em Liberdade, pois é assim que se chama a prisão onde está há muitos anos… Meu pai é um preso, mas não porque tenha matado ou roubado ou chegado tarde à escola. Graciela diz que meu pai está em Liberdade, ou seja, preso, por suas idéias. Parece que meu pai era famoso por suas idéias. Eu também tenho idéias, às vezes, mas ainda não sou famosa. Por isso não estou em Liberdade, ou seja, não estou presa… De forma que liberdade é uma palavra enorme. Graciela diz que ser um preso político como meu pai não é nenhuma vergonha. Que é quase um orgulho. Por que quase? É orgulho ou é vergonha? Gostaria que eu dissesse que é quase vergonha? Estou orgulhosa, não quase orgulhosa, de meu pai, porque teve muitíssimas idéias, tantas e tantas que foi preso por causa delas. Acho que agora meu pai vai continuar tendo idéias, idéias espetaculares, mas é quase certo que não fale sobre elas com ninguém, porque se falar, quando sair da Liberdade para viver em liberdade, podem fechá-lo outra vez na Liberdade.

Primavera num espelho partido, 1982, livro de Mario Benedettique, situa-se entre os poemas de Vento do exílio (1981) e os ensaios de O desexílio e outras conjeturas (1984). “O exílio (interior, exterior) será uma palavra-chave desta década”, sob a polifônica liberdade

Assim dito, o  que nos fica, como legado da obra de Mario Benedetti, é, sobremaneira, a possibilidade de reinventar a vida, apesar de todas as “prisões”,  todos os exílios. Em meio aos inevitáveis e reticentes  desafios do viver, há um preso que sonha; uma primavera que retorna. Como o velho Rogerio Velasco, personagem do conto Testamento hológrafo, diria:

deixo um vidro com chuva que me deixava alegremente melancólico
deixo uma insônia com lua crescente e duas estrelas
deixo a sineta com que chamava a esquiva boa sorte
deixo o relâmpago da memória, que às vezes ilumina os baldios da minha consciência.

Primavera num espelho partido , obra do  grande escritor uruguaio,  dá-nos  prova cabal  de que toda (a) vida é singular, única, mas , sempre, enredada, nas tramas, de outra(s) vida(s), que com ela se encontra e desencontra, tecendo e destecendo os  des-a- fios  da vida...Tudo é tão delicado!!!

 

O importante não é sair da escola como profissional competente, mas estar consciente dos problemas da vida, desta miséria imensa que precisa ser eliminada.
Oscar Niemeyer

Cordial e  respeitosamente                                            
  Lucia J. Duarte
A DIREÇÃO DO C. E.. JOSE MARTI
 

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